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Foi no rio Vizela que começou a história deste novo concelho.
Com 40 km de curso, o rio Vizela nasce na serra de Cabeceiras, entre as freguesias de Aboim e Gontim, concelho de Fafe e distrito de Braga. Desagua na margem esquerda do rio Ave, perto da freguesia de S. Miguel das Aves, concelho de Santo Tirso e distrito do Porto.
À volta do rio Vizela, começaram a surgir as primeiras populações, uma vez que as suas margens eram muito férteis e possuíam uma grande capacidade agrícola, sendo o cultivo dos campos, até ao século XIX, praticamente a única actividade destas populações.
Vizela está integrada no Vale do Vizela, que se inicia na serra de Santa Catarina, a Norte. A Sul, faz fronteira com parte do concelho de Lousada, através da serra do Carvelo.
Foi em Vizela que começou toda a actividade económica e política desta região. As condições geográficas do Vale de Vizela desde muito cedo atraíram o homem. Como a água abundava em todo o vale, as actividades de maior relevo eram a agricultura e a pecuária.
 
A descoberta das águas termais
A chegada dos Romanos à Península Ibérica, no século III a.C., trouxe grandes transformações, nomeadamente para a região de Vizela, transformando por completo os hábitos, costumes e modos de vida das populações que aí viviam.
A grande transformação operada pelos Romanos nesta região foi a descoberta das águas termais de Vizela, com capacidades únicas no tratamento de determinadas doenças, entre as quais o reumatismo e as afecções das vias respiratórias.
Assim, os Romanos construíram, a partir do século I a.C., uma espécie de complexo termal, tendo surgido, à sua volta, toda uma povoação. Era aqui que as populações das diferentes classes sociais passavam horas de lazer e tentavam as curas para os seus males. Vizela tornou-se, assim, conhecida pelas virtudes terapêuticas das suas múltiplas nascentes de água. Aqui, acorria gente de toda a Ibéria.
Outra obra com a assinatura dos povos romanos é a ponte de Vizela, conhecida por "ponte velha", e que resistiu a séculos de utilização, estando classificada como monumento nacional.
Com as invasões bárbaras, no século V, o Império Romano desmoronou-se por completo, assistindo-se à ascensão do Cristianismo, que invadiu todas as populações.
Após a Reconquista, formaram-se novos aglomerados populacionais. No ano de 607, século VII, realizou-se um concílio para a divisão do território em bispados, surgindo, assim, as primeiras paróquias portuguesas, entre as quais, Oculis, ou seja, Caldas de Vizela.
 
1361: Vizela foi concelho
A evolução política provocou, a partir de meados do século XI, a ascensão de Portucale, como centro de uma vasta área. O poder era exercido a partir de um centro, que começou por ser Guimarães. Vizela, como estava mesmo ao lado, aproveitou o facto para crescer e adquirir uma certa importância no contexto geral da governação do país.
O ano de 1361 foi o primeiro grande momento da história de Vizela, tendo esta alcançado a independência administrativa e formado, pela primeira vez, concelho próprio. D. João foi, assim, o primeiro governante de Vizela.
Contudo, o concelho teve uma duração efémera: 47 anos. Pensa-se que os motivos da extinção estejam ligados aos conflitos entre os poderes municipais de Vizela e os conventos minhotos de Guimarães e Roriz.
Mais tarde, nesta região, nasceu um novo concelho, desta vez com sede em Barrosas e que agrupou grande parte das actuais freguesias de Vizela.
Em Tagilde, a 10 de Julho de 1372, assinou-se um importante acordo político, o chamado pacto de Tagilde, um tratado de aliança entre Portugal e Inglaterra.
Entre o século XV e XVIII, pouco aconteceu em Vizela. Depois de um certo período de adormecimento, as termas renasceram no século XVIII. Em 1785, iniciou-se a construção, no sítio da Lameira, de uma barraca coberta de colmo, que iria constituir as primeiras instalações das termas de Vizela.
Como a afluência foi enorme, nos anos seguintes, foram construídas algumas barracas em pedra. Já no século XIX, foi dada autorização régia para a construção dos banhos, os antecessores da actual Companhia.
As actuais instalações termais começaram a ser construídas em finais do século XIX (1870). Em 1873, é fundada a Companhia dos Banhos de Vizela, que ainda hoje concede ao concelho características de turismo muito particulares e que contribuiu, de forma preponderante, para o urbanismo vizelense, dos séculos XIX e XX.
 
O renascer do espírito independentista
Com a criação da Companhia dos Banhos, a povoação cresce, e com ela renasce a consciencialização autonómica da população, que estava enfraquecida há vários séculos, dando origem, durante o século XIX, ao renascer da luta pela autonomia de Vizela.
A partir de 1822, efectuam-se as primeiras alterações administrativas, dividindo-se o país em distritos. Trinta anos depois, foi extinto o concelho de Barrosas, aumentando, assim, o sentimento de independência de todo o vale de Vizela.
Em 1852, a Rainha D. Maria II inicia uma viagem pelo país, anunciando a sua passagem por Vizela. Apesar da promessa, esta visita acabou por não se efectuar e os vizelenses não esconderam a sua insatisfação e revolta. Foi a partir daqui que se intensificou o desejo de autonomia dos vizelenses, o desejo de um concelho independente de Guimarães.
Com a implantação da República, em 1910, Vizela acalentou novas esperanças na sua luta e, pouco tempo depois enviou uma comissão, a Lisboa, com o objectivo de apresentar os motivos de tão antigas reivindicações.
Assim, em 1914, Vizela apresentou uma proposta de criação do município, com 26 freguesias, a maioria desanexada de Guimarães. Doze anos depois, a mesma proposta já contemplava apenas 17 freguesias.
Naquela altura, Vizela vivia momentos de grande vigor económico, sendo a estância termal considerada uma das melhores do país, servindo de pólo dinamizador de toda a região.
Em finais do século XIX, viviam em Vizela mais de 5000 habitantes. A indústria têxtil, nomeadamente o tecido de seda, algodão e linho, era a principal actividade económica de Vizela. A indústria mecânica, da serração de madeira e a do pão-de-ló, o famoso Bolinhol, também estavam desenvolvidas.
Na altura, existiam dois casinos, que representavam uma fatia importante da economia vizelense, e algumas unidades hoteleiras, que serviam de apoio às termas de Vizela.
O desenvolvimento económico de Vizela estava à vista e os gritos de independência iam-se fazendo ouvir, cada vez mais alto.

Elevação a Vila
Em 1929, Vizela é elevada à categoria de vila, em plena ditadura de pré-Estado Novo. Mas, os vizelenses não ficaram satisfeitos e não desistiram da sua luta pela criação do concelho. Em 1964, é fundado o MRCV - Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela, que se propôs liderar a luta pela criação do concelho. Em meados do século XX, assistiu-se a um certo declínio das termas, contrastando com um forte surto industrial, nomeadamente nos sectores têxtil, calçado e construção civil.
Com o 25 de Abril, veio a promessa de uma nova lei sobre os municípios e as esperanças dos vizelenses aumentaram. Mas, mais uma vez, as tentativas não tiveram resultados positivos.
Nos anos 80, os acontecimentos na Assembleia da República foram acidentados. Em 1982, o Partido Popular Monárquico apresentou uma proposta de criação do concelho, mas esta foi rejeitada. O PSD também fez promessas, que não cumpriu.Como resposta, os vizelenses boicotaram as eleições autárquicas de Dezembro desse mesmo ano.
Em 1985, foi aprovada a nova lei-quadro dos municípios, em que uma das cláusulas impedia a criação de novos concelhos, antes da regionalização.
Contudo, Vizela nunca desistiu de lutar pelos seus interesses, que viriam a ser satisfeitos em Março de 1998. Mas, em 1997, Vizela ainda sofreu outra decepção, quando, mais uma vez, viu chumbada a sua proposta e, ao mesmo tempo, aprovada a elevação de Fátima a cidade.
Aliado a isto, as relações entre Vizela e Guimarães iam-se deteriorando, pois estava no ar que o concelho de Vizela, mais cedo ou mais tarde, iria ser criado. Em 1997, foi apresentada uma proposta de lei do Partido Popular sobre a criação do concelho que, mais uma vez, foi chumbada. Mas, esta seria a última decepção dos vizelenses. 

Luta valeu a pena
 
Em 1998, estavam na agenda da Assembleia da República, três projectos-lei de elevação de Vizela a concelho. A 19 de Março, os projectos-lei foram aprovados e Vizela era, finalmente, elevada à categoria de cidade.
Mais de seis mil vizelenses, que se tinham deslocado até Lisboa, fizeram a festa, à porta da Assembleia da República. Também em Vizela, a festa foi rija e culminou com um espectáculo de fogo de artifício, organizado pelo MRCV.
A luta valeu a pena... O desejo concretizou-se... Vizela era concelho!